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Curumim

CurumimDizia o psicólogo Abraham Maslow que existe uma escala de necessidades na vida. A base da pirâmide de Maslow seria composta pelas nossas necessidades fisiológicas, ou seja, comer, beber, dormir, respirar….Só nos preocuparíamos com os níveis seguintes, o das necessidades de segurança, de relacionamentos sociais, auto-estima e realização pessoal, a partir do momento em que estivéssemos com o primeiro nível devidamente saciado. Simplificando: não dá para pensar em estar bonito ou ser bem sucedido profissionalmente se estou apertado para ir ao banheiro ou morrendo de frio…

Sempre pensei que para um bebê recém nascido, o foco principal seria assegurar estas coisas básicas, ou seja alimentá-lo no peito, mantê-lo limpo, agasalhado e deixá-lo hibernar. Quando vi a lista de coisas recomendadas para alguém que mal chegou ao mundo, imagino que Maslow deva ter se revirado em sua tumba…Chupeta com termômetro acoplado para controlar a temperatura do bebê, aquecedor de mamadeira portátil que liga no carro, lixo que neutraliza os odores dos detritos produzidos pelo príncipe, aquecedor de lencinhos umedecidos para que seu bumbunzinho não tenha um choque térmico…

Quando vejo tudo isto, tenho um lampejo de remorso. Se eu não comprar estes cacarecos, será que eu serei um pai alienado e desatualizado ? Será que eu serei acusado de tratar meu filho como um curumim  da tribo dos Tupiniquins, ou seja desprovido dos confortos do mundo moderno ? O remorso passa rápido…Foco no básico !  A escala de necessidades do meu filho será devidamente atendida com o leitinho da mamãe e sem estes apetrechos, que nada mais mais são do que facas Ginzu e meias Vivarina versão recém nascido.

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Test drive

vintage Talvez  o momento em que os homens tenham mais poder de decisão ao longo da gravidez de suas esposas, seja na hora da escolha do carrinho de bebê. Parece incrível, mas acho que todos os sonhos masculinos em relação aos carros de verdade são transferidos e projetados para o veículo que transportará seus herdeiros…Eu certamente dediquei mais tempo ao “test drive”  comparativo entre os 2 modelos de carrinhos finalistas, do que quando comprei o meu último carro de carne e osso (ou de lata, para ser mais literal). Senti falta de uma revista tipo “4 Rodas” para carrinhos de bebê, com uma análise mais completa, criteriosa e fria dos modelos disponíveis do  que a que eu fui capaz de realizar.
O processo de decisão é extremamente difícil e estabelece-se um duelo entre o “prático” e o “legal”.O mercado está tomado por carrinhos com perfil funcional,ou seja, aparentemente completos, com preços honestos, fáceis de dobrar, que cabem em qualquer porta malas mas que geram aquela sensação profunda de que “isto não é para mim” (tenho que admitir que meu filho virou um pequeno coadjuvante neste momento – a rejeição é minha mesma). De repente coloquei  na cabeça, que não quero empurrar ninguém em um carrinho sem charme, que se pareça com uma versão “gugudadá” de um Azera ou seja um “piccolo Cerato”…(Azera e Cerato são dignos representantes daqueles sedans coreanos que não tem nenhuma personalidade)…Não me interessa se funciona bem, se dobra assim ou assado, se não dá manutenção, se cabe no porta malas. O troço é muito sem graça e decidi que se fosse para ter um carrinho assim, era melhor definir o colo da mãe como meio de locomoção oficial do rebento (sei que esta não é uma opção real mas ao menos para fins literários, achei que caiu bem).

Eu decidi que queria um carrinho estiloso. Queria brincar de faz de conta. Afinal, como com o meu carrinho de bebê (meu filho virou coadjuvante de novo, tomei posse do pequeno veículo) eu não precisaria pagar seguro, IPVA e ele já viria na versão Flex (programada para o pai ou a mãe empurrarem), decidi que dava para gastar um pouco mais. Ninguém que compra uma Ferrari quer saber do tamanho do porta-malas, o feliz proprietário de um Jaguar não pergunta quantos Km/Litro o carro faz e tampouco espero que o dono de um Rolls Royce desligue o ar condicionado para economizar combustível. Decidi adotar esta linha menos humilde e tive o meu momento “ilha de Caras” no processo de compra do carrinho de bebê.  Agora para trocar de carrinho porém, só com 100.000 Km rodados ou 5 anos de depreciação…

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Cálculos e Recálculos

TabelinhaUm dia a sua mulher chega e diz que a menstruação dela está atrasada. Você já ouviu esta história antes, dá um sorriso compreensivo e a ignora.

No dia seguinte, ela insiste. Minha menstruação continua atrasada. Você busca argumentos técnicos, lança hipóteses sem fundamentos e propõe recálculos sobre tabelas que você não tem a menor idéia de como funcionam. Tabelinha para você é quando dois atacantes trocam passes rapidamente em direção ao gol e ciclos te remetem a uma aula de história do Brasil: ciclo do café, ciclo da borracha, ciclo da cana de açucar…

Será que isto não é em função da mudança do fuso horário desde que você voltou de viagem ?

A mudança de temperatura pode alterar o ciclo menstrual ?

Você anda trabalhando muito, isto pode estar desregulando tudo.

No terceiro dia, marido doce que é  proativamente solta um singelo, porém contundente: E aí ?

Nada…Acho que estou grávida.

A aventura vai começar…